A apreensão de um carro oficial da Prefeitura de Grupiara, na tarde de sexta-feira (23/01) no município de Nova Ponte (MG), tornou-se o retrato mais recente e visível da crise administrativa enfrentada pela cidade. O veículo, uma Ford Ranger Placa QUF4500 Ano 2019 foi retido por estar com a documentação irregular desde 2023, segundo informações confirmadas. Para moradores e lideranças locais, a apreensão do carro oficial não é um fato isolado, mas mais um episódio que se soma a uma sequência de problemas administrativos, apontando falta de controle, ausência de gestão e desrespeito com o patrimônio público.
Grupiara é o segundo menor município de Minas Gerais, com menos de mil habitantes e cerca de 1.700 eleitores, mas possui renda per capita superior à de muitos municípios maiores do Estado. Ainda assim, a população relata dificuldades em serviços básicos e um cenário crescente de abandono administrativo.
O fato de um veículo oficial circular com documentação vencida há mais de dois anos reforça, segundo moradores, a percepção de desorganização interna da Prefeitura. Para eles, a apreensão do carro escancara falhas básicas de gestão, que vão desde o controle da frota até a aplicação correta dos recursos públicos.“O carro apreendido é só a ponta do problema. Se nem o básico está sendo feito, imagine o resto”, relatou uma liderança local.
Desde o início da gestão do prefeito Rogério Machado, o município também enfrenta demissões em massa. Estimativas apontam que mais de 30% dos servidores municipais foram exonerados, muitos deles por critérios políticos, incluindo servidores efetivos e pais de família.
Antes da atual administração, Grupiara contava com mais de 400 funcionários. A redução brusca do quadro funcional tem impactado diretamente o funcionamento da máquina pública.
Ao mesmo tempo em que servidores são demitidos, há denúncias sobre a existência de funcionários fantasmas, o que amplia os questionamentos sobre a gestão dos recursos públicos. A população cobra explicações e maior atuação dos órgãos de fiscalização.
A apreensão do carro oficial, nesse contexto, passou a ser vista como mais um indício da falta de transparência denunciada por moradores. Diante do acúmulo de denúncias, da instabilidade administrativa e da apreensão do veículo oficial por irregularidades, moradores afirmam que Grupiara vive sem uma gestão efetiva.
“Hoje, o carro da Prefeitura foi apreendido. Amanhã, o que mais pode acontecer?”, questiona um morador. O sentimento predominante é de incerteza e cobrança por respostas. Para a população, o carro oficial apreendido se tornou o símbolo mais evidente de uma administração que, segundo relatos, perdeu o controle da gestão pública.


