À medida que as eleições gerais de 2026 se aproximam, cresce o temor no Brasil quanto à influência da desinformação produzida e disseminada com o uso de inteligência artificial (IA) nas redes sociais. A preocupação concentra-se não apenas no que pode ser criado e amplificado durante a campanha, mas também nos meses que antecedem o pleito, quando narrativas falsas podem se consolidar na opinião pública antes mesmo do início formal das disputas eleitorais.
O jornalismo tradicional emerge, mais uma vez, como um dos principais instrumentos para frear a propagação de mentiras e tentativas de manipulação. “Em 2026 veremos campanhas inventando vídeos e fatos sobre adversários. Caberá aos jornalistas distinguir o que é fato e o que é IA, e isso ficará cada vez mais difícil”, advertiu o diretor de Redação da Folha de S.Paulo, Sérgio Dávila, durante um evento promovido pela Associação Nacional de Jornais (ANJ). A fala evidencia a crescente complexidade da tarefa de checagem em um ambiente digital saturado de informações geradas por algoritmos cada vez mais sofisticados.
A preocupação com os riscos à integridade do processo eleitoral também mobiliza a Justiça Eleitoral. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) abriu uma consulta pública com um conjunto de propostas para atualizar as regras que guiarão as eleições de 2026. Entre os pontos de maior destaque estão normas sobre o uso de IA nas campanhas, mecanismos para remoção de conteúdos desinformativos nas redes sociais, regras sobre pré-campanha, pesquisas eleitorais, distribuição de recursos e o calendário eleitoral.
As contribuições da sociedade podem ser enviadas até sexta-feira (30) por meio de formulário eletrônico disponibilizado pelo tribunal. O TSE também programou uma série de audiências públicas na próxima semana para aprofundar o debate sobre as propostas. A expectativa é que as normas sejam aprovadas pelo pleno do tribunal até 5 de março, permitindo um marco regulatório mais robusto antes do início oficial das campanhas.
A iminente entrada em exercício de um novo presidente no TSE também chama atenção para o tema. Em junho, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques assumirá a presidência do tribunal, sucedendo a ministra e também ministra da Suprema Corte Cármen Lúcia, que, nos últimos meses, tem reforçado alertas sobre os perigos da desinformação no âmbito eleitoral.
Ao abrir um seminário da Justiça Eleitoral sobre segurança, comunicação e desinformação, realizado em Brasília nesta terça-feira (27), a ministra Cármen Lúcia destacou que o uso malicioso de tecnologias pode ter impactos profundos sobre as bases do processo democrático:
“Não há dúvida de que as tecnologias podem contaminar eleições pela captura da vontade livre do eleitor, com mentiras divulgadas por meios tecnológicos. Há pessoas que tentam contaminar a vontade do eleitor para conduzir a um resultado. A dúvida corrói as bases democráticas de um processo eleitoral”, enfatizou.
Da Redação do Jornal Panorama
Com as informações da ANJ
Foto: Rogério Lorenzoni/Studio3x
Jornal Panorama Minas – Grande Circulação no Estado de Minas Gerais – Noticiando o Brasil, Minas e o Mundo – 51 anos de jornalismo ético e profissional
O post Desinformação e IA crescem como ameaça ao processo eleitoral; imprensa e Justiça Eleitoral reforçam combate apareceu primeiro em Jornal Panorama.