Uma cegonha branca, espécie que não era observada em liberdade no Reino Unido há aproximadamente seis séculos, foi registrada recentemente na região de Oswestry, na divisa entre a Inglaterra e o País de Gales. O avistamento ocorreu às margens de uma rodovia movimentada e foi documentado pelo fotógrafo de vida selvagem Andrew Fusek-Peters, chamando a atenção de observadores de aves e pesquisadores.
A presença do animal em ambiente natural é considerada relevante por especialistas, uma vez que a cegonha branca deixou de fazer parte da fauna britânica desde a Idade Média. Segundo registros históricos, a última nidificação conhecida no território ocorreu em 1416, na Catedral de St Giles, em Edimburgo. Desde então, a espécie desapareceu em razão de mudanças no uso do solo, perda de habitat e pressões humanas.
De acordo com o fotógrafo responsável pelo registro, a ave se alimentava tranquilamente de larvas próximo à estrada, comportamento incomum para o período do ano. Outro detalhe que despertou interesse científico foi a ausência de anilha na perna do animal, o que pode indicar que não se trata de um exemplar diretamente monitorado por projetos de reintrodução, levantando a hipótese de nascimento em ambiente natural.
Especialistas avaliam que a cegonha registrada seja jovem e possivelmente descendente de aves reintroduzidas no sul da Inglaterra nos últimos anos. Uma das teorias é que indivíduos nascidos recentemente tenham começado a explorar novas áreas do território britânico, sinalizando um possível processo de expansão da espécie.
O comportamento migratório também chama a atenção. Tradicionalmente, a cegonha branca migra para regiões mais quentes da África durante o inverno europeu. A permanência do animal no Reino Unido nesta época do ano é considerada atípica e pode estar relacionada a mudanças ambientais ou à adaptação gradual da espécie ao território.
O retorno das cegonhas brancas ao Reino Unido teve início em 2020, por meio do White Stork Project, desenvolvido na propriedade Knepp Estate, no sul da Inglaterra. A iniciativa envolve proprietários rurais e organizações ambientais com o objetivo de restabelecer uma população autossustentável da espécie. A meta do projeto é alcançar cerca de 250 indivíduos até 2030.
Além do valor ecológico, a cegonha branca possui forte significado histórico e cultural na Europa, sendo frequentemente associada a tradições populares e registros medievais. O reaparecimento da ave em ambiente natural, após séculos de ausência, é visto como um indicativo positivo dos esforços de conservação e dos projetos de rewilding em curso no Reino Unido.
Para pesquisadores, o avistamento reforça a importância do monitoramento contínuo e da preservação de habitats, demonstrando que espécies consideradas perdidas podem retornar quando há planejamento ambiental e políticas de conservação consistentes.
Da redação do Jornal Panorama.
Foto: Andrew Fusek-Peters
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