Gostaria de saber por que ficaste ofendida quando lhe contei ter pensado em você de vestido, falando pra mim entre as luzes de natal da praça, pois já cansei de dizer que não penso em “ficar” contigo, em simplesmente “pegar” você, mas sim desposá-la.
Embora nunca tenha negado o asco e medo que sinto do seu marido, devo confessar-te que adoro o Matias, que menino jóia, bom de bola, meia de origem, assim como Sócrates, Seedorf, Ganso, Cruyff, Zico…sempre quis que meu filho jogasse futebol, mas ele preferiu o violão…talvez porque o pai nunca tenha jogado bem.
Então Sereia, veja só, cá estou sob a onírica perspectiva de realizar, de uma só vez, dois grandes desejos meus: ter você pra sempre ao meu lado e um filho que jogue futebol, bem é claro, que me faça vibrar e ter orgulho dele na arquibancada.
Mas você, um peixão em todos os sentidos da palavra não me permite desfrutar em nada tua opulenta feminilidade e o motivo é uma face moral repressiva ordinária que te a acompanha, pois seus conceitos ou pré-conceitos a impedem de viver bons, porque não dizer maravilhosos momentos comigo.
_ Precisava me dizer que você vai contar pro seu marido e ele vai “dar um soco” na minha cara? E o pior, você disse o nome dele, e aí eu fiquei realmente com medo, pois se ele começar a me bater, você sabe, não reagiria, talvez corresse, ou pior, cobriria o rosto com as mãos e braços e ficaria sentado no chão enquanto ele me xinga, chuta e tenta dar tapas na minha cabeça… tudo por causa da sua exuberante feminilidade, que cena humilhante!
Acontece que nada, nada consegue fazer com que eu pare de pensar em você: a silhueta maravilhosa, o porte de gazela que assombra, as coxas encantadoras, são imagens que jamais serão deletadas da minha mente, pelo contrário, estarão presentes e vivas para um homem como algo que ninguém quer ou se atreve a apagar.
Mas de que adianta viver como Amácio, que tinha em Hebe seu amor, porém platônico, nem ela sabia!?
_ Que Amácio? Perguntas com essa voz natural de Sereia, e eu te respondo, vendo-a nova, que é como sempre a vejo: _ Aquele que escrevia, dirigia, atuava como ator principal, fazia o roteiro, enfim, resolvia tudo dos seus filmes, um dos mais confiáveis retratos telúricos de nossa gente, pois contou como poucos a realidade do Brasil do campo e das pequenas cidades: Amácio
Mazzaropi! Tal qual eu para contigo, uma instigante e regular paixão platônica ele sentia pela Hebe Camargo.
Durante quase um lustro – já se foram cinco anos – pude conviver contigo sem nunca poder tocá-la, mas a fantasia dos meus sonhos sempre me permitiu sentir seu aroma de fêmea.
Após tanto tempo e tanta certeza resolvi me declarar seriamente a você e automaticamente veio o bloqueio no whatssap, e tudo mudou: passei a me sentir muito mais triste, pois não tenho, por exemplo, como encaminhar Espelhos d’água, do Dalto, dizendo que ele se espelhou – com mil perdões pelo trocadilho -, em alguém como você quando compôs essa música marcante, canção esta que talvez careça de um intérprete como eu para revivê-la na grande mídia dos dias atuais.
Você sabe, estou sempre à espera de um empresário que já venha com um produtor em nível do André Abujanra, como fizeram com o Chico César.
Aguardo seu desbloqueio, porque outro objetivo não tenho senão dar vazão aos meus devaneios platônicos, sempre carregados do mais suave e puro sentimento de bem querer que nutro por você, Sereia.
Lúcio Silva em 19/12/2023
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